mesmo quando se quer, às vezes não há jeito

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Está na moda dizer que quem quer sempre dá um jeito. Que não há vida, não há imprevisto, que impeça quem tem o desejo de realmente fazer acontecer. Está na moda, pelo visto, ser mimado e acreditar que os outros giram em torno de tão belo umbigo que é esse seu.

Mesmo quando se quer, às vezes não há jeito. A vida adulta é difícil. São contas, cobranças, chefes, imprevistos, violência, doenças e não há ninguém para cuidar disso para você, além de você mesmo. Às vezes um passeio é desmarcado por um problema no trabalho, e tudo bem.

Nem sempre é mentira, nem sempre é traição, nem sempre é desinteresse. Não é falta de saudade e muito menos falta de amor. É questão de sobrevivência, sem salário onde você vai viver? E se não for trabalho pode ser doença, pode ser um gasto imprevisto. Pode ser puro cansaço.

Ninguém é de ferro, você sabia? E que mal há em dispensar uma viagem exaustiva em dois ônibus, mais Uber e um trecho à pé, ou apenas uma horinha de avião ou carro ou ônibus, por um pouco de descanso?

Em uma época onde muito se fala de reciprocidade, você está com a sua em dia? Muitas vezes, mesmo que de forma inconsciente, esperamos que o outro resolva nossos problemas. Esperamos que ele venha até nós, mas não pensamos em ir até ele.

Está na moda também falar de pessoas tóxicas e de pessoas que não insistem no amor. Um tal de amor líquido, eu acho. Mas venha cá, amigo, ninguém é de fato obrigado a amar alguém de volta. O coração não funciona dessa forma.

Não é amor líquido se ele é unilateral. É crush, é quedinha, é platônico. É sabido que existe muita gente ruim, gente que ilude, usa e descarta. Mas não é seu caso, se só não é correspondido, amigo, chega de mimimi.

De nada adianta um querer se outro não está afim, ou em bom e velho ditado popular "quando um não quer, dois não brigam" (ou namoram/beijam/transam/etc). Às vezes o santo não bate, às vezes o amor morreu e não há nada errado em enterrá-lo.

Insistir em um relacionamento falido, ainda que por resquício de amor e familiaridade, é uma decisão ruim. Muito ruim. Nesse momento você e a outra pessoa se tornam tóxicas, já não fazem mais bem uma a outra. É tanta briga que você ainda não sabe como não se afogou nesse mar de tristeza. Não prenda (ou se prenda a) alguém por comodidade.

Agora, você vê, amigo? Mesmo quando se quer, às vezes não há jeito.

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