#6 - Escolha a maneira que você morrerá



26 de outubro de 2016
Tema 265 - Escolha a maneira que você morrerá.

As noites agora estão mais frias para mim. Acho que é a idade. Quero dizer, não é que eu esteja super velha ou coisa parecida. Mas já estou começando a entender o que meus pais e avós diziam com "dor nos ossos". 

Eu acho meio macabro ficar pensando neles, principalmente agora, que alguns dos meus amigos mais antigos começaram a falecer. Enquanto preparo uma xícara de chá, suspiro e penso em como a vida é implacável, nenhum de nós tem a menor chance contra ela.

Sorrio para meu marido ao me sentar no meu sofá favorito, agora somos só nos dois. Lembro-me de quando éramos jovens; dos nossos sonhos, fantasias, medos, lutas e conquistas. As memórias dessa época agora têm uma luz dourada e etérea - e sinceramente, não entendo como pudemos nos preocupar tanto com coisas tão pequenas.

Eu quando mais nova, costumava pensar que poderia viver eternamente com 18 anos, depois dos 20 percebi que aquela era a melhor idade e que, definitivamente, queria viver eternamente com ela. O que não percebi é que com o passar dos anos, cada um deles se tornaram os melhores que já tive.

Eu sou muito grata, sabe, pela vida que tive e por todas as coisas que tive oportunidade de fazer. Envelheci, mas ainda tenho minha independência, consigo fazer tudo o que preciso e, para qualquer coisa mais difícil, tenho meu marido e família e amigos. Uma coisa que, quando mais jovem, me dava medo era chegar ao final da vida sozinha e nunca me faltou companhia.

O chá me aqueceu um pouco e meu marido me chama para nos deitarmos. Caminhamos de mãos dadas até o quarto. Tantos anos - tantas décadas - se passaram e eu ainda amo esse homem do fundo de meu coração. Nos demos um beijinho de boa noite e apagamos as luzes.

Eu fiquei acordada mais um tempo, acompanhando a respiração dele e pensando na vida que tive, nas pessoas que conheci e nos dias mais marcantes pelos quais passei. Lembrei-me de tantos "fins do mundo" que eu criei em situações mais difíceis e em como sobrevivi até ali.

Deixei escapar uma risadinha, ao pensar em como eu não sabia de nada, mas ao mesmo tempo achava que sabia cada segredo do universo. Meu marido se mexeu na cama e me abraçou. Feliz com o contato dele, fechei os olhos e adormeci.

Acordei no meio da noite, de sobressalto. Olhei ao redor, mas não vi nada demais. Fiz uma pequena prece, uma que minha mãe me ensinou quando criança, e dormi. Pela última vez.

*pqp que texto difícil de fazer, fiquei toda emocional

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