#9 - Pegue um relato da página RIO Invisível e crie um final feliz


31 de outubro de 2016
Tema 288 - Pegue um relato da página RIO Invisível (é só um exemplo, pois tem de outros estados também) e invente um final feliz para uma pessoa.


"Pode me chamar de Patrícia, tenho 39 anos. Vim pra rua porque minha mãe fez isto comigo, no meu rosto. Ela me dava paulada, cortava meu rosto e costurava a sangue frio. Fiquei acorrentada na cama, isso desde o primeiro dia de nascida até meus nove anos de idade. Não sei porquê fazia isso, tinha problema. Depois que me recuperei na morte na casa da minha avó, eu fugi. Foi com 13 anos que eu nasci. Vim pra não matar a minha avó, ela não tinha culpa, mas eu estava com muita raiva de tudo. Minha mãe foi a pior do mundo, não a considero. Eu sofro até hoje na rua porque eu não perdoo a minha mãe.

Hoje sou mãe de dois filhos lindos - uma está presa, tem 15 anos, e o outro, meu filho, faz 18 anos hoje. Esse tempo na rua foi muito difícil, tive que dormir escondido e aprender a observar as pessoas porque você não tem paz, te discriminam e fazem maldade com você no meio da rua. Quando eu era pequena, dormia embaixo do caminhão. Já fui estuprada.

Tive minha filha na rua, ela nasceu na Cinelândia. Como eu tinha conhecimento, me colocaram em um táxi, quase morri com ela. Fui parar no hospital. Eu sentia muita dor, aí a mulher sentou na minha barriga. Eu fiz o parto amarrada. Minha filha hoje está bem, graças a Deus. O pai dela virou estuprador depois, aliciou a sobrinha dele.

Fico andando de um lado pro outro pra conseguir viver. Se você parar muito tempo em uma localidade só, é como se estivesse tendo uma casa, os vizinhos arrumam problema. Vou falar assim, no português: a falsidade dos inimigos é a nossa felicidade, falo isso pra todo mundo. As pessoas têm inveja de nós. Porque eu sou pura, não roubo nada de ninguém. Se sinto que alguém está de maldade comigo, me afasto. Até a polícia passa na rua esculachando todo mundo, não quer nem saber, já joga logo spray de pimenta na cara. Quando eles cismam com a cara da pessoa, amarram e levam pra delegacia. Vai lá fazer ocorrência pra quê? Não fiz nada."

Um dia, andando pela cidade, encontrei minha filha. Soltaram ela e ela nem pra me avisar. Não dá pra entender. Eu nunca tive nada, já até falei que não morro antes de conseguir uma casa de dois andares pros meus filhos. Mas lá tem jeito?

Falei pra minha filha que ela é linda, faz bem escutar isso de vez em quando, né? Perguntei se ela tava bem, ela disse que tava, mas que não queria nada comigo. Fiquei muito chateada, sabe? Eu só não queria ser a mãe que a minha mãe foi. Hoje graças a Deus tenho meu filho, que pelo menos gosta de mim. Muito difícil.

Falei pra ele que a irmã não me dava valor e ele quis ir atrás dela. Não sei nem porque, ela quer viver a vida dela e se quiser me esquecer, quem sou eu pra falar que não. Eu sei que não fui a melhor mãe, tive e criei meus filhos na rua. Fugi de casa e agora eles tão fugindo também.

Eu fiquei muito, feliz, sabe? Uns dias depois meu filho apareceu com a minha filha. Ela tava chorando, eu fiquei preocupada demais. Eu já fui estuprada, mas nunca deixei ninguém encostar um dedo nela.

O bom é que quando ela me falou o porque de estar chorando, eu chorei também. Ela é adolescente, né, tem o direito de querer as coisas dela. Mas ela disse que quer ser minha amiga.

Deus mandou ela de volta pra mim, eu sei. Agora eu vou cuidar mais dela. Eu só tenho amor de mãe, não tenho mais nada. Mas já que Deus mandou ela de volta, agora a gente vai se entender. 

*Patrícia é um nome fictício que a página RIO Invisível criou para proteger a mulher.
*Assitam ao vídeo e leiam o relato!

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